Porão
Quando não estamos bem,
quando queremos refletir,
quando por algum motivo desejamos ficar só.
Procuramos lugares silenciosos,
lugares calmos,
lugares desertos.
Assim longe de tudo,
fora da realidade,
conseguimos buscar a paz
que tanto desejamos encontrar.
Mas, quando bate a saudade,
a tristeza,
parecemos estar novamente no escuro,
sozinha,
no deserto mudo e medonho.
Tentamos sair...
mas é difícil,
pois novamente estamos longe de tudo,
fora da realidade.
Primeiro queremos nos encontrar em um abismo,
em um deserto,
em um porão.
Depois, por um motivo qualquer
queremos sair,
fugir desse abismo,
desse deserto,
desse porão...
que de qualquer forma quer nos devorar.
O pavor,
a nostalgia,
a tristeza,
a descrença,
o egoismo,
tudo isso faz com que nos joguemos nos buracos,
nos porões da vida.
Não posso dizer que é proibido,
que não podemos ter nosso momento...
de desespero,
de descrença,
de desilusão,
que dá vontade de abandonar tudo...
de nos enfiar no primeiro buraco,
no primeiro porão que encontramos.
Mas devemos lembrar que a vida não acaba se nós não deixarmos,
por isso, é melhor resistir,
enfrentar,
do que se deixar derrotar.
Porões para nos escondermos
encontramos em toda parte com facilidade,
o difícil é ser forte para continuar
ou para recomeçar.
Mas desde já não deixem o tempo passar
e continuem ou recomecem...
tudo o que haviam deixado para lá!
Escrita originalmente em 04.01.2001

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